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Tráfego online triplicará até 2020: como isso afeta as operadoras de Telecom

Cristina Cruz | 11 de outubro de 2016

A previsão mundial é de que o uso de internet aumente consideravelmente nos próximos anos. De acordo com previsão do décimo Relatório Cisco® Visual Networking Index (VNI) Global Forecast and Service Adoption 2014-2019, o tráfego IP anual vai triplicar, atingindo os 2 zettabytes (mais de dois bilhões de gigabytes anuais), entre 2014 e 2019.

Entre os principais fatores de crescimento estão o aumento do número de usuários da internet, dispositivos pessoais e conexões Máquina-a-Máquina (M2M), maiores velocidades nos acessos de banda larga e a adoção de serviços de vídeo avançados. Espera-se que, em conjunto, essas variáveis gerem um tráfego IP global com uma taxa de crescimento de 23%. O primeiro aumento no valor da taxa de crescimento em uma década de previsões do VNI.

O setor de telecomunicações

O aumento considerável do tráfego IP global faz com que recaia sobre a indústria de telecomunicações a responsabilidade de reconhecer que tem um papel fundamental nas sociedades e isso representa para as operadoras uma enorme oportunidade de crescimento e de maior contribuição no desenvolvimento social, político e econômico das nações.

O número de países onde fusões e aquisições estão ocorrendo é muito expressivo. Brasil, China, Estados Unidos, Egito, México, Espanha e Reino Unido são uma pequena amostra do que está acontecendo em quase todo o mundo. Apesar dessas uniões e internacionalizações significarem expansão de mercado e de capital para as operadoras, é essencial considerar que isso também implica, necessariamente, em um investimento maior de infraestrutura.

Para conseguir prestar os serviços que serão exigidos com o aumento de dados, é necessária uma infraestrutura robusta e, portanto, mais cara. Não se trata mais apenas de alcançar o público, mas de suprir o consumo crescente de dados. Melhorar a qualidade dos serviços e ampliar a cobertura da rede tornaram-se fatores essenciais para manter o setor em pleno funcionamento.

Outro fator importante a ser considerado é a concorrência. O mercado recebe novas empresas, entre elas, operadoras de televisão pela internet, como a Netflix, e novos aplicativos, como o Whatsapp. Esses dispositivos chamados de OTT, Over the Top, são uma tendência mundial e irreversível. À medida que cresce o uso de tablets e smartphones, aumenta o consumo da banda larga. A competição fica mais acirrada e os preços caem. O desafio será criar um modelo sustentável de negócios e desenvolver serviços de maior valor agregado, além do básico, do simples transporte de informações, e garantir maior rentabilidade.

O foco do setor de telecomunicações deve ser, portanto, na retenção de clientes, enquanto busca melhorar a infraestrutura de banda larga móvel e fixa para o futuro. A implantação 4G LTE é uma tendência importante em grande parte do mundo e, em mercados específicos, há também um forte investimento em banda larga fixa baseada em fibra. Mais de 140 países têm agora uma política ou plano de Rede Nacional de Banda Larga (NBN).

Como isso afeta o atual cenário brasileiro

Com relação ao Brasil, o relatório da CISCO mostra que o país acompanha a tendência mundial. A quantidade de usuários atingirá 141 milhões – o que representa 65% da população conectada até 2020 –, crescimento que fica acima da média mundial, que é de 52%. O aumento dos tipos de dispositivos e conexões também é muito expressivo. Chegaremos a, aproximadamente, 3,6 dispositivos per capita. Hoje, essa média é de 2,5 dispositivos per capita. Com relação às velocidades, em 2020, 51% de todos os dispositivos conectados na rede serão móveis, e a velocidade média da banda larga fixa no país vai crescer 2,3 vezes, entre 2015 e 2020, passando de 8,5 Mbps para 19,5 Mbps.

Quanto ao tráfego IP, o país experimentará um crescimento de cerca de três vezes no volume de informações, entre 2015 e 2020, a uma taxa anual composta de 21%, atingindo 4,4 exabytes (1 exabyte equivale a 1 bilhão de gigabytes) por mês, em 2020 (acima do 1,7 exabyte por mês registrado em 2015). Já o tráfego de internet vai crescer 2,5 vezes, a uma taxa CAGR de 20%, atingindo 3,5 exabytes por mês, em 2020 (acima do 1,5 exabyte por mês registrado em 2015).

No Brasil, em 2016, existe a promessa de continuar o trabalho de modernização das infraestruturas de telecomunicações do país, além de uma maior necessidade de conexões de banda larga de alta velocidade e novos indícios de consolidação por parte dos provedores de serviço. Também haverá um esforço por parte das empresas em diversificar suas carteiras de serviços para poder atender um mercado em potencial mais amplo e, simultaneamente, reduzir as taxas de deserção de seus clientes já estabelecidos.

O setor de Telecomunicações é peça fundamental da infraestrutura de qualquer país e, por isso, é considerado um componente relevante para o desenvolvimento econômico e social. O momento atual da economia brasileira traz oportunidades únicas que, se exploradas com o devido planejamento e reflexão, podem garantir resultados duradouros.

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