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Crowdsourcing: colaboração coletiva dentro da sua empresa

Cristina Cruz | 10 de janeiro de 2017

A economia mundial constantemente passa por transformações em sua estrutura, alterando seus processos e procedimentos, influenciados, principalmente, por novas demandas do mercado. A intensa competição global e as rápidas mudanças tecnológicas forçam as empresas a buscarem novas formas de desenvolver seus produtos ou ofertar seus serviços. É desse modo que surgem conceitos como os de crowdfunding e crowdsourcing.

Enquanto o crowdfunding – financiamento coletivo – consiste na obtenção de capital para iniciativas de interesse coletivo por meio da agregação de múltiplas fontes de financiamento, em geral pessoas físicas interessadas na iniciativa, o crowdsourcing consiste no processo de encontrar fornecedores terceirizados por meio de pessoas como prestadoras de serviço. É mais comum encontrar esse tipo de recurso on-line, já que a internet facilita o encontro de inúmeras e variadas ofertas.

O princípio do crowdsourcing é que múltiplas cabeças pensam melhor do que apenas uma. Dessa forma, ao reunir diversas ideias, habilidades e a participação de pessoas distintas, a qualidade e a compreensão desses insights serão maiores e melhores, enquanto o preço será reduzido. A palavra é uma junção de crowd (multidão) e outsourcing (terceirização) para se referirem a um novo conceito de interação social, baseado na construção coletiva de soluções com benefícios a todos.

Para que serve o crowdsourcing em uma empresa?

  • Esse sistema colaborativo pode auxiliar um gestor a solucionar questões internas e externas de sua organização, as quais antes só poderiam ser resolvidas com terceirizações de custo muito alto. O crowdsourcing traz novos conhecimentos a baixo (ou nenhum) custo;
  • Solução de problemas ou obtenção de serviços 24 horas;
  • Muitas empresas usam estratégias de trabalho colaborativo para divulgar seus lançamentos, em primeira mão, a um grupo fiel de clientes, a fim de que eles possam opinar e se sentir parte do projeto. Isso ajuda a engajar e fidelizar ainda mais o público em relação à marca;
  • Várias empresas têm aderido de forma crescente a comunidades (sites específicos) que concentram dezenas de profissionais de diversas áreas. Neles, você anuncia o que precisa, então, inúmeros profissionais lhe oferecem seus serviços e você escolhe a opção que melhor se encaixa nas suas necessidades, comprando seu produto ou serviço diretamente na plataforma;
  • A possibilidade de inovação permanente e ideias novas e diferentes, advindas de fora das paredes da empresa também é uma vantagem interessante ao aderir ao crowdsourcing.

Dentro das empresas, as áreas que mais se utilizam dessa ferramenta de construção comunitária são: Marketing e Vendas (branding), Desenvolvimento de Produtos (feedback de usabilidade) e a TI (programação e avaliação de softwares). Mas não há barreiras. Em tese, qualquer departamento pode construir uma identidade por meio das múltiplas vozes e de seus consumidores.

Como incorporá-lo na empresa?

A nova dinâmica do universo empresarial impõe criatividade e novas formas de fazer negócio. Mas quais são os passos para incorporar o crowdsourcing nas empresas? Confira:

1. O primeiro passo para quem quer obter vantagem competitiva através desses serviços é compreender “qual a cara de sua empresa?” ou “quem somos nós?” Afinal, não adianta buscar imergir em comunidades colaborativas se a própria cultura organizacional não favorece a iniciativa.

2. Identifique quais áreas da empresa precisam ou podem se beneficiar de uma construção coletiva. Do que o negócio está precisando atualmente? Você já tem uma logo? Seus softwares realmente têm usabilidade? A campanha de marketing que você quer lançar surtirá efeito? Precisa de uma consultoria jurídica pontual?

3. Crie anúncios em plataformas de crowdsourcing especializadas na solução de seu problema específico (jurídico, marketing, vendas, TI, desenvolvimento de produto, etc).

Cases de sucesso do uso de crowdsourcing:

  • Unilever: a gigante global, que é líder em venda de bens de consumo, apesar de ter modernos centros de pesquisa e investir muito em ciência e tecnologia, lança desafios para pessoas interessadas em contribuir com a empresa. Dentro dos desafios propostos em crowdsourcing estão: Projetos de armazenamento de energia renovável; Redução dos níveis de sódio em alimentos; Criação de novos produtos e Combate a vírus.
  • Azul: a companhia aérea tem um dos casos mais conhecidos de crowdsourcing do Brasil. Em 2008, a recém lançada empresa desafiou o público para escolher seu próprio nome. As pessoas que sugeriram o nome mais votado (Azul) ganharam bilhetes vitalícios.
  • Google: o Google já tem em seu DNA a colaboração e investe muito nisso. Em 2009, por exemplo, a empresa promoveu um concurso de vídeos para apresentar ao mercado o Google Chrome no Brasil. O resultado já é conhecido: sucesso de aderência do projeto e a atenção necessária no lançamento de um produto.
  • Netflix: a inovadora empresa que atua no mercado de locação de filmes na internet, lançou, em 2012, um desafio ao público: quem desenvolvesse um algoritmo 10% melhor na sugestão de filmes receberia um prêmio de US$ 1 milhão. Quem apresentou a melhor solução levou o dinheiro. A empresa, além de atingir seu objetivo, captou ideias que melhoraram muito seu desempenho na rede. Além da publicidade em torno do projeto, claro.
  • Coca-Cola: as ações de crowdsourcing da Coca-Cola têm mais a ver com posicionamento da marca, marketing puro. Um dos cases mais marcantes é o do vídeo criado coletivamente em Cingapura para o lançamento da Coca-Cola Zero, ação que depois foi repetida globalmente.

As plataformas de crowdsourcing que o empreendedor pode buscar:

  • Creative Commons: é um site que busca arquivos licenciados para compartilhamento de conteúdo jornalístico, fotos e vídeos de forma gratuita;
  • OpenIDEO: comunidade para solução de problemas empresariais ou geração de insights (em inglês);
  • Crowdtest: dá a oportunidade para que os cadastrados testem seu aplicativo, antes de lançá-lo ao mercado;
  • Kaxola: imagine que você não é publicitário, mas, conversando com amigos em um bar, teve uma ideia fantástica. Esse é o site ideal para divulgá-la. Para os empreendedores, uma ótima fonte de ideias para negócios;
  • uTest: autoproclamam-se a primeira comunidade online para testes de softwares (em inglês);
  • Profissionais do Livro: comunidade de prestadores de serviço em revisão, tradução, diagramação e ilustração;
  • WeDoLogos: concentra algumas centenas de designers cadastrados, o que torna esse site perfeito para quem quer criar sua identidade visual.

É possível perceber que a internet possibilitou encontrar respostas para as demandas empresariais através da participação de milhões de cabeças pensantes, reduzindo os custos com serviços e obtendo resultados de alta qualidade. E você, conseguiu entender mais sobre a construção do pensamento colaborativo? Pensa em utilizar o crowdsourcing a favor da sua empresa? Compartilhe conosco nos comentários!

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