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Indústria 4.0: muito além da automação industrial

Cristina Cruz | 9 de maio de 2017

Já ouviu falar sobre uma revolução que está acontecendo no setor de produção? Essa revolução é impulsionada pelo avanço das tecnologias de comunicação e informação, e também pela fusão entre o mundo real e a realidade virtual. A combinação desses fatores está transformando os processos industriais tradicionais, e levando a um movimento de desenvolvimento que foi nomeado por especialistas da área como a Indústria 4.0.

A indústria 4.0 é um conceito que começou a ser implantado a partir de 2013, e que foi originado a partir de um projeto do governo da Alemanha voltado para novas estratégias que aliam tecnologia e meios de produção. O fundamento básico dessa nova concepção mostra que as fábricas que conectam máquinas e sistemas têm capacidade e autonomia para agendar manutenções, prever falhas em processos e se adaptar a mudanças inesperadas que ocorrem nas etapas de produção. Isso significa uma nova era no âmbito das grandes revoluções industriais, pois, com as fábricas inteligentes, diversos setores do mercado sofrerão o impacto provocado pela mudança dos produtos manufaturados.

O objetivo de chegar ao modelo de indústria inteligente é caracterizado pela capacidade de adaptação, eficiência dos recursos e integração de todos os envolvidos nos processos de criação de valor e estratégia. Para alcançar esse propósito, a Indústria 4.0 tem sua base tecnológica composta por sistemas cibernéticos, Internet das Coisas e Big Data. Combinadas, essas tecnologias pretendem tornar autônomos e mais eficientes as etapas de produção.

Princípios e pilares da Indústria 4.0

Como mencionado acima, existem alguns pilares que sustentam a base tecnológica para o desenvolvimento da Indústria 4.0. Esses pilares, que representam os principais avanços alcançados na área da tecnologia nos últimos anos, são: a Internet das Coisas e Big Data.

O principal objetivo da Internet das Coisas (IoT) é conectar objetos físicos, ambientes e máquinas à rede mundial de computadores, que, por sua vez, permite a coleta e a troca de dados entre esses itens. Essa nova fase de desenvolvimento da cadeia de produção passa diretamente pela IoT, pois os sistemas ciber-físicos, que são utilizados pela Indústria 4.0, funcionam a base de sensores dessa conexão.  

Já o Big Data, que descreve o gigantesco volume de dados estruturados e não estruturados coletados e armazenados por softwares, é aplicado ao contexto da Indústria 4.0 para a qualificação desses dados, transformando-os em informações relevantes para o negócio. Esse tratamento de dados se dá a partir dos 6 Cs, classificados como Conexão (com a rede industrial), cloud computing, cyber, conteúdo, comunidade (compartilhamento de informações) e customização. Além dos pilares que sustentam a base de tecnologia dos sistemas de produção inteligentes, existem cinco princípios que contribuem diretamente para a implantação da Indústria 4.0. Esses princípios são:

  • Capacidade de operação instantânea: é o tratamento instantâneo de dados que permite a tomada de decisões em tempo real;
  • Virtualização: é a criação de uma cópia virtual da fábrica que permite o monitoramento remoto de todos os processos da cadeia de produção;
  • Descentralização: é o aprimoramento dos processos de produção através da descentralização da tomada de decisões, que poderá acontecer por meio do sistema ciber-físico e das próprias máquinas, que passam a fornecer informações sobre o ciclo de operação;
  • Orientação a serviços: é o uso de arquiteturas de softwares direcionadas aos serviços;
  • Modularidade: é a produção baseada sob demanda que permite maior flexibilidade na alteração de tarefas previstas para as máquinas.

Impactos da Indústria 4.0

Um dos maiores impactos previstos por especialistas quanto à Quarta Revolução Industrial está relacionado ao mercado de trabalho e à oferta de mão de obra. A tendência é que as posições de trabalho que exijam esforços manuais e repetitivos sejam, aos poucos, substituídas pela mão de obra automatizada, realizada por meio de máquinas e robôs. Dessa forma, os profissionais passarão a ter um papel mais estratégico dentro das empresas e ocuparão cargos em que o conhecimento técnico não será considerado um diferencial, mas uma competência necessária para que as funções sejam exercidas.

Apesar de antigas demandas deixarem de existir com a adoção da mão de obra automatizada e dos sistemas inteligentes, novas tarefas irão surgir para moldar a nova realidade do mercado de trabalho. Assim, as áreas que envolvem pesquisa e desenvolvimento oferecerão cada vez mais oportunidades para profissionais tecnicamente capacitados. Por isso, uma formação multidisciplinar, que envolva habilidades de compreensão e reflexão, e que favoreça o conhecimento em tecnologias diversas será extremamente valiosa para a realidade das fábricas inteligentes.

Outro ponto a ser transformado pela Indústria 4.0 está ligado à criação de novos modelos de negócio. A customização prévia de produtos por parte dos consumidores, que lentamente é adotada pelas empresas devido ao aumento dos custos e processos de manufatura, será um dos serviços que mais ganharão com essa nova era da indústria. Como as máquinas contarão com sistemas inteligentes, a capacidade de permitir a personalização de acordo com as preferências dos clientes será elevada, que torna a experiência do consumidor e o relacionamento com as empresas ainda mais próximo e forte.

Confira a seguir uma pequena entrevista, realizada na última edição do Futerecom, em que Reinado Lorenzato, diretor de serviços da Hewlett Packard Enterprise (HPE), fala um pouco sobre o que é a Era da Indústria 4.0 e quais serão os maiores impactos no futuro.

 

As fábricas inteligentes no Brasil

Uma pesquisa inédita sobre a adoção de tecnologias relacionadas à Indústria 4.0 no Brasil, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostrou que os principais esforços feitos no país estão na fase de processamentos industriais. O levantamento, divulgado em maio deste ano, foi realizado com 2.225 empresas de pequeno, médio e grande porte e mostra um apanhado geral de como a era da manufatura avançada é encarada pelas indústrias nacionais.

Foi identificada a adoção de dez tipos de tecnologias em diferentes estágios ao longo da cadeia de produção. Os números mostram que 73% das empresas usam pelo menos uma tecnologia digital na etapa de processos, 47% fazem uso na etapa de desenvolvimento e 33% investem o uso na criação de novos produtos.

O setor mais avançado na adoção de princípios e práticas da nova fase da indústria é o de equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos. Com 61% de adesão, o setor que engloba empresas de eletrônicos, comunicação e equipamentos médicos, faz uso de pelo menos uma das tecnologias listadas e avaliadas pela CNI. O segundo colocado nesse ranking é o segmento de máquinas e materiais elétricos, que aparece com 60% de uso de alguma tecnologia envolvida nos processos de produção.

A pesquisa mostrou que o principal desafio do país é aproximar especialistas e indústrias para a ampliação de conhecimento acerca dos benefícios que essa revolução pode trazer para a cadeia produtiva. Além disso, é preciso que o governo contribua nesse processo com o aumento de políticas que promovam a digitalização do Brasil, pois é preciso que a infraestrutura digital receba investimentos e capacitação profissional para o aumento da eficiência  de plataformas tecnológicas.

Provavelmente, a imagem que temos de uma fábrica tradicional, onde barulhos são constantes e as linhas de produção parecem cada vez maiores, serão substituídas por um ambiente totalmente ímpar. A era da nova manufatura será cada vez mais automatizada e comandada por robôs. O processo produtivo será mais eficiente e inteligente à medida que for controlado por equipamentos que comunicam entre si.

Para se adaptar a esse cenário, que já é uma realidade em alguns países desenvolvidos e gradativamente também se espalhará pelo resto do mundo, além de aprimorar novas tecnologias, os profissionais também precisam ser capacitados para lidar com a nova maneira de trabalho.  É necessário que as pessoas sejam situadas dentro desse modelo inovador de produção, onde a interação entre homens e máquinas acontecerá de maneira mais intensa.

E você, o que acha da era das fábricas inteligentes? É um entusiasta do assunto? Compartilhe conosco sua opinião nos comentários!

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