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22/dez
Cristina Cruz

Criada pelo economista americano Henry Chesbrough em 2003, a inovação aberta é a promoção de novas ideias, metodologias e pesquisas abertas. O objetivo é melhorar o desenvolvimento de produtos, além de oferecer melhores serviços, aumentar a eficiência e reforçar o valor agregado.  

Em entrevista à revista Petrobras Magazine, Henry Chesbrough afirmou que inovar é mais do que apenas investir em pesquisa científica. “Também é pensar em novos modelos de negócio, manter cooperação com os clientes e consumidores e atrair a participação de fontes externas de conhecimento”, disse.

Para implantar o modelo, as empresas devem estar abertas a aprimorar projetos em parceria com fontes externas, debater problemas e compartilhar invenções e produtos. Porque entende-se que o mercado já percebeu o quanto é oneroso, complicado e demorado criar, por conta própria, tudo aquilo que precisa para enfrentar os desafios contemporâneos. Dessa forma, a inovação aberta oferece alternativas para que as empresas consigam inovar de modo mais rápido e eficaz.

Um estudo desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontou que empresas que inovam mais, têm maior participação no faturamento global dos próprios segmentos e maior sucesso comercial. Com a inovação aberta, é possível criar mais com menos recursos.

Além de ser possível a construção de um sistema onde as ideias fluem abertamente de clientes, funcionários e outras partes interessadas, como parceiros e fornecedores, ela promove a construção do conhecimento organizacional e pode ajudar a empresa a desenvolver uma cultura criativa no local de trabalho. Esse resultado ainda se reflete em colaboradores mais engajados.

Saiba como fazer

Não existe um modelo único de inovação aberta. Tudo depende da origem da ideia, de como ela será conduzida e de que forma chegará ao mercado. Hoje, a inovação aberta é seguida, com adaptações e regras próprias, em quase todos os ramos. A discussão diz respeito à maneira como cada empresa entende a inovação e à sua capacidade de absorver novos conceitos.

Antes de tudo, é preciso passar por um processo de amadurecimento. Primeiro, deve-se abrir os  departamentos de pesquisa e desenvolvimento para que possam ouvir os parceiros dentro da própria empresa, como a área de vendas, por exemplo.

É preciso envolver os fornecedores na cadeia de inovação, bem como os próprios clientes. Uma mudança importante é o envolvimento de Universidades e Institutos de Pesquisa. A inovação aberta pode manter essas relações iniciais, mas introduz outras formas de incorporação de tecnologias e produtos, assim como outras maneiras de geração de receita e lucro.

É importante ressaltar que o modelo de negócio de cada corporação precisa ser bem estruturado e planejado para se identificar exatamente o que pode ser feito de modo interno e quais recursos complementares devem ser buscados em fontes externas. Assim, os riscos de perdas de potenciais lucros ou de exclusividade de uso sobre determinadas tecnologias são minimizados.

Um bom exemplo é quando a empresa tem condição de produzir um novo produto ou oferecer um novo serviço, mas julga não ser interessante diversificar a oferta de sua marca. Ela pode escolher uma companhia parceira para lançá-lo. Dessa maneira, aproveita o acesso a um novo mercado que, a princípio, não seria atingido.

Outro modo é uma startup compartilhar com uma empresa maior um conceito ou produto inovador para que ela produza e lance o produto final. Existe ainda a possibilidade de uma grande empresa preferir criar outra menor (as spin-offs), por conta própria ou em parceria, apenas para desenvolver uma inovação em particular.

Inovação corporativa

Como o conceito de inovação aberta mostra, inovar não significa, necessariamente, gastar muito dinheiro e tempo no desenvolvimento de novas tecnologias.  As atividades do dia a dia também são passíveis de inovação. Dessa maneira, inovação é entendida como algo vital também para empresas menores ou com pouco capital.

Maria Angélica Garcia, consultora de empreendedorismo e inovação corporativa, afirma, em artigo publicado no portal Meu Sucesso, que a inovação pode começar incentivando os colaboradores a participarem de um programa de inovação corporativa.  “Engajar o seu colaborador a participar das decisões do dia a dia da empresa requer um bom planejamento e o interesse em ouvir o colaborador precisa ser genuíno. De nada adianta pedir sugestões, se as mesmas não forem devidamente analisadas,” diz.

Uma das sugestões da especialista, para engajar os colaboradores, é começar com pequenas ações para introduzir a cultura de inovação na empresa, como, lançar um desafio de inovação no qual os funcionários trabalhem em times mistos a fim de resolver um determinado problema da empresa.

Carlos Arruda, professor de Inovação e Competitividade na Fundação Dom Cabral, aprofundou esse modelo e listou quais são as sete principais etapas para criar a cultura de inovação em uma empresa. São elas:

1. Identificação de oportunidades e problemas

Etapa de responsabilidade de níveis hierárquicos mais altos na empresa. Momento de listar quais os problemas que podem ser resolvidos com inovações e quais oportunidades podem ser criadas.

2. Entendimento da oportunidade ou problema

Se for algo ligado ao comportamento ou ao envolvimento de pessoas, o especialista recomenda uma elaborada pesquisa antropológica. Como as pessoas agem em tal situação? Que outras soluções existem para o mesmo problema? Nessa etapa a sugestão é que conversem com especialistas.

3. Troca de ideias sobre a oportunidade ou o problema

Esse é o momento para ter aquela conversa sobre a problemática, as circunstâncias e as alternativas. Essa parte da análise é muito importante.

4. Ideação

Depois de ter explorado exaustivamente o entendimento da questão, passa-se à etapa de geração de ideias. Aqui, o recomendado é usar diversas técnicas: brainstorming, associação de ideias e design thinking.

5. Agrupar e selecionar ideias

É importante deixar as ideias descansarem. Alguns dias depois, deve-se voltar a elas com o compromisso de reduzir o número entre 10% e 20%. Vale emendar, recortar, agrupar. As ideias ajustadas devem virar uma proposta de projeto, que será submetida para avaliação.

6. Seleção de ideias ou projetos

O professor sugere a feira de ideias, em que os autores apresentam suas propostas para terceiros. Em alguns casos, as ideias são votadas, em outros, compradas. É quando os vendedores fazem de tudo para convencer os compradores de que suas ideias ou projetos são os melhores.

7. Desenvolvimento das ideias

Os conceitos selecionados devem ser elaborados usando os critérios e os métodos de gestão de projetos usados nas empresas. A etapa de criatividade já terminou e o objetivo agora é a transformação das ideias e dos projetos em algo que possa ser testado e aplicado.

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