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29/mar
Cristina Cruz
Coworkings são tendências no Brasil e fomentam a inovação

Espaços de trabalho compartilhados estão em acelerado crescimento no Brasil. Mesmo sendo uma atividade relativamente nova no país – com menos de 10 anos –, os chamados coworkings já são quase 400, com mais de 10 mil posições de trabalho. Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul estão logo atrás do estado de São Paulo no ranking de estados com mais espaços compartilhados, ampliando as cidades com esse tipo de serviço. Em 2016, foi registrado um crescimento de coworkings de 52% em relação ao ano anterior, segundo o Censo Coworking Brasil. Esses números revelam que os empreendedores brasileiros buscam um local agradável e de troca de experiências para desenvolverem seus projetos, além, é claro, da economia que esses espaços proporcionam.

A propósito, a redução de custos é realmente expressiva. As empresas que se dispõem a ter espaços próprios, calculando gastos com aluguel, condomínio, energia, telefonia, internet, mobília, materiais de consumo, entre outras despesas, chegam a um valor até 40% maior, comparado ao valor gasto com espaço de coworking. Além disso, o espaço compartilhado mostra-se o modelo ideal para empreendedores que não querem se preocupar em administrar um escritório próprio, o que demanda tempo, interesse e algum talento. A ideia é focar apenas em atuar no seu negócio, sem precisar se dedicar a detalhes administrativos.

A vantagem da economia é evidente, mas há outros benefícios que podem trazer ganhos imensuráveis para as empresas que optam por dividir espaço com outras organizações. Estando ao lado de startups de outros segmentos, a empresa desenvolve um networking de maneira orgânica, conhecendo profissionais e soluções que abrem possibilidades para novos projetos. Torna-se comum a colaboração mútua entre empresas que trabalham juntas em um espaço de coworking.

O ambiente é propício à inovação

A inovação é um resultado natural de espaços de coworking. Afinal, empresas que geralmente não trabalhariam juntas em uma mesma estrutura têm a oportunidade de cooperarem em projetos coletivos. A própria arquitetura funciona como incentivo às trocas. Os espaços de coworking normalmente são amplos, com grandes áreas de circulação, mesas compridas sem divisórias, copa bem equipada e lounge confortável. Tudo isso contribui para que conversas sejam ouvidas e, eventualmente, interrompidas por alguma ideia. E o que é interessante: nem sempre vinda de alguém da mesma empresa. O espaço físico em comum proporciona esses momentos, onde as empresas se fundem e criam juntas.

Certas de que o ambiente de coworking estimula a inovação, grandes empresas passam a buscar esses espaços, já que enxergam a necessidade de inovar em seus negócios, porém não encontram oportunidades dentro de sua estrutura própria. De acordo com Sílvio Kotujansky, vice-presidente de mercado da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate), essa é uma tendência que deve ser aproveitada. Os escritórios compartilhados funcionam como um laboratório de inovação aberta, em que empresas tradicionais têm a chance de “beber da fonte” de startups e, assim, também desenvolverem inovação.

Além de um ambiente físico que proporciona oportunidades de negócios, os coworkings promovem encontros e ações programadas, diferenciando os escritórios que prosperam e ganham cada vez mais adeptos daqueles que tiveram que fechar as portas pouco depois de serem abertos. O diferencial está na oferta de conhecimento e na promoção de eventos que facilitem o networking.

É normal que empreendedores acostumados ao modelo tradicional estranhem esse excesso de liberdade, muito diferente dos prédios cheios de salas divididas por paredes. Em um primeiro momento, eles precisam se habituar ao ambiente de coworking, onde apenas algumas reuniões são feitas em sala fechada. A maioria das situações acontece ali mesmo, em um ambiente aberto. Por isso a necessidade de eventos que aproximem os profissionais e promova o entendimento do grau de intimidade com cada um. O Censo Coworking Brasil 2016 mostrou que 92,9% dos espaços de coworking estão promovendo essas oportunidades de interação: 23,1% dos entrevistados organizam eventos mensais e 20,3%, eventos semanais.

Alternativa ao modelo tradicional

Mais do que um espaço que proporciona redução de custos e inovação, o coworking é ainda uma alternativa para empreendedores que desejam fugir ao modelo tradicional. O Censo Coworking Brasil 2016 mostrou que cerca de 30% dos espaços compartilhados no Brasil funcionam 24 horas por dia. Outro estudo, realizado pela Movebla, identificou que 59% dos profissionais preferem o acesso à sua mesa de trabalho em horário integral e, não apenas comercial. Isso revela que os profissionais estão buscando flexibilidade no horário de trabalho. Os coworkers querem inovar além dos negócios, mas também no modelo de trabalho, não exigindo horários fixos para entrada e saída dos colaboradores.

No caso dos profissionais que trabalham remotamente ou que são microempreendedores, o coworking é uma alternativa ao home office. Diferente dos europeus, por exemplo, os coworkers brasileiros não possuem o hábito de frequentar cafés e bibliotecas para trabalhar, preferindo o escritório em casa. No entanto, trabalhar no ambiente residencial nem sempre é uma opção interessante, do ponto de vista tanto de produtividade quanto de atendimento ao cliente. Se a casa não é um ambiente silencioso e o profissional precisa dividir a atenção com tarefas domiciliares, o trabalho fica comprometido. E, ainda, há o problema de receber clientes em casa, o que nem sempre é bem avaliado por eles. O coworking é, então, visto como uma solução para tornar mais formal esse modelo de trabalho. Segundo o estudo da Movebla, 58% dos entrevistados começaram no coworking a partir do home office.

O perfil dos coworkers é variado, apesar de a maioria ser empreendedor ou profissional liberal. Startups, grupos de trabalho fixos e pequenas incubadoras também são comuns nos espaços de coworking brasileiros. São jovens profissionais, sendo que 40% têm idade entre 26 e 35 anos. Conheça as principais áreas de atuação das pessoas que frequentam espaços compartilhados, de acordo com o Censo Coworking Brasil 2016:

  • Consultoria: 65%
  • Publicidade, Design: 50%
  • Marketing, Internet, Startups: 45%
  • Advocacia: 38%
  • Negócios Sociais, Vendas, outros: 24%
  • Jornalismo, Educação: 20%
  • Jurídico, Artes: 13%
  • Terceiro setor, Contabilidade, Moda: 10%

Como o mercado atual muda a cada instante e exige que as empresas acompanhem esse ritmo, o coworking é visto como uma alternativa prática: se o mercado muda, basta contratar um novo plano, que ofereça soluções adequadas às novas necessidades. Representa a segurança e o conforto que as empresas buscam ao optar pelo contrato com um espaço compartilhado, que pode ser alterado a qualquer tempo.

As vantagens estruturais de fato são muitas, mas os ganhos mais relevantes se referem à convivência proporcionada entre os profissionais. O coworking mostra que os recursos tecnológicos, muitas vezes acusados como inimigos das relações presenciais, também podem ser usados a favor da interação humana, unindo boas ideias e fomentando a inovação.

E, você, o que acha do crescimento de espaços de coworking no Brasil? Acredita que essa seria uma oportunidade para sua empresa inovar? Deixe sua opinião nos comentários.

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