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Tomada de decisões: 3 táticas para gerar valor pensando no longo prazo

Cristina Cruz | 26 de maio de 2017

A tecnologia cada vez mais tem ocupado espaços na sociedade. Dentro do ambiente corporativo é um recurso crucial para que atividades e processos sejam melhores e mais eficientes. Nesse contexto, o processo de tomada de decisão também foi impactado pelo avanço tecnológico, uma vez que ferramentas de análise, como Business Intelligence (BI) e Analytics, surgiram e foram implementadas dentro das empresas com o objetivo de fazer com as decisões fossem tomadas de forma mais precisa, assertiva e estratégica.

Diante dessa realidade, os tomadores de decisões apoiam-se constantemente no método analítico para a condução dos negócios, deixando o feeling e as impressões em segundo plano. Porém, para fazer bom uso da tecnologia nesse processo é preciso ir além: conhecer os níveis de decisão e o que está inerente em cada um deles é fundamental para que a empresa caminhe na direção desejada.

Como se sabe, definir o rumo mais adequado que uma empresa deve seguir em determinadas circunstâncias exige que os envolvidos façam escolhas com muita responsabilidade. Nesse processo decisório, antes de qualquer outra coisa, é essencial que os gestores conheçam e saibam de forma minuciosa as atribuições de cada um dos três níveis de decisão, comumente chamados de operacional, tático e estratégico. Cada profissional precisa conhecer qual é o seu posicionamento dentro dessa estrutura de tomada de decisão para que suas respectivas atividades e responsabilidades sejam exercidas de acordo com a expectativa que lhe é atribuída.

No nível operacional, as decisões, normalmente tomadas por colaboradores técnicos, são pautadas por ações em curto prazo e imediatas. Já no nível analítico, onde as escolhas são caracterizadas como desdobramentos das decisões tomadas no nível acima (estratégico), as ações são consideradas de médio e centradas em como fazer, ficando a cargo de profissionais com perfil de gerência e coordenação. Por fim, o nível estratégico é onde as decisões tomadas possuem maior alcance e impacto dentro da empresa. Por ter uma abrangência que se estende a toda a organização, as escolhas feitas pelos profissionais que ocupam este nível apontam para o que fazer, sendo consideradas, portanto como decisões em longo prazo.

Tomando decisões em longo prazo

Por todo o peso e carga de responsabilidade, tomar uma decisão em longo prazo nem sempre é uma tarefa simples. Pelo contrário, ela exige dos diretores, além de um bom perfil analítico, uma capacidade de pensar no futuro com verdadeiras escalas de futuro. Mas o que isso quer dizer? Em uma palestra para o TEDx, Ari Wallach, CEO da Synthesis Corp, empresa especializada em consultoria de estratégia e inovação, explica que um futuro em grande escala está além da tecnologia e de todos os avanços que ela pode oferecer para esses processos decisórios. Para auxiliar no entendimento de como isso é possível, ele criou três táticas que ajudam a pensar além do óbvio e do que é imediato. Confira a seguir quais são essas táticas e como Ari Wallach faz uso delas no dia a dia.

1. Pensamento Transgeracional

De acordo com Ari, todos nós nascemos programados com uma espécie de unidade de medida, compreendida entre o momento do nascimento até os instantes finais de vida, para conseguir atingir todos os objetivos traçados e nos tornarmos pessoas boas. E aí está o grande problema: é preciso romper essa barreira e ir além dessa unidade padrão que mede a vida de todos os seres humanos. Esse ir além, que Ari chama de pensamento transgeracional, é capaz de fazer com que as pessoas consigam expandir suas formas de pensamento em relação aos problemas e ao verdadeiro papel de cada um na resolução deles.

Essa é uma prática que pode ser adotada tanto para decisões em larga escala e que precisam ser tomadas por grandes departamentos, como diretorias de grandes empresas ou órgãos governamentais, quanto decisões muito pessoais e que dizem respeito a realidade de cada um. Por isso, o pensamento transgeracional é considerado um divisor de águas no que diz respeito à mudança na forma de pensar em relação às situações delicadas: é muito melhor que os problemas sejam resolvidos em sua origem e não apenas momentaneamente.

2. Pensamento sobre Futuros

Ao pensar em como seria o futuro daqui 10 anos, a visão que temos provavelmente é uma lente cultural que domina o nosso pensamento atualmente: tecnologia. Quando pensamos sobre problemas, sempre usamos uma visão tecnológica, a que Ari Wallach chamou de visão tecnocêntrica. Apesar de não ter nada de errado pensarmos dessa maneira, é preciso avaliar bem se vamos avançar na mesma proporção em que pensamos.

Diante disso, ele indica que é preciso reavaliar nossa suposição básica de olhar para o futuro de uma única forma, ou seja, através das lentes culturais dominantes. É preciso abrir a mente, principalmente porque os problemas que enfrentamos atualmente são grandes e vastos para serem analisados de uma maneira única e simplista. Por isso, é importante fazer o exercício de pensar e falar não apenas de uma única possibilidade de futuro, mas de possibilidades de futuros.

Portanto, ao pensar sobre situações que envolvam o futuro, independente de estarem relacionadas ao âmbito pessoal ou profissional, o mais importante é não limitar o pensamento e considerar soluções que vão além da tecnologia. Apesar de boa parte dos esforços das pessoas estarem concentrados na evolução tecnológica, é preciso prestar atenção e olhar com cuidado para a evolução moral. Enquanto isso não acontecer, não será possível sair da visão em curto prazo e chegar até os planos de longo alcance.

3. Pensamento Telos

Telos, que vem do grego, significa objetivo e propósito finais. Segundo Ari Wallach, esse tipo de pensamento consiste em se perguntar: “Até que ponto eu posso ir?”. Quando foi a última vez que você se fez esse questionamento? E quando se perguntou, até onde conseguiu chegar?

Estamos sempre tentando resolver problemas, mas o que acontece quando conseguimos resolver? A não ser que tracemos metas para o que vem depois, não conseguimos nos mover de forma objetiva e eficiente. Por isso, a grande lição do pensamento telos diz respeito ao fato de que é preciso parar de tratar o futuro como um substantivo mas como um verbo. Ou seja, requer ação, requer que nos esforcemos. Não é algo que nos domina, mas sim algo que podemos controlar.

O fato de vivermos em uma realidade imediatista acaba fazendo com o que pensamento e os planos em longo prazo sejam sufocados pela urgência. Porém, com a tomada de consciência em relação a esse problema, é possível fazer com que a inércia ligada ao futuro deixe de existir. E você, o que acha das três táticas sobre o pensamento em longo prazo? Compartilhe conosco sua opinião nos comentários!

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