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O que é inovação disruptiva e por que ela é importante para sua empresa

Cristina Cruz | 5 de janeiro de 2018

O termo inovação disruptiva, criado pelo professor Clayton Christensen, da Harvard Business School, ficou conhecido a partir da publicação do livro “O Dilema do Inovador”, em 1997. Segundo a obra em questão, inovação disruptiva é um conceito que descreve uma inovação tecnológica, produto ou serviço, que utiliza uma estratégia disruptiva para superar uma tecnologia existente, dominante no mercado. Em outras palavras, o termo corresponde a produtos e serviços totalmente inovadores, surgidos na base da pirâmide do mercado que, em pouco tempo, crescem fortemente na escala de valor e ultrapassam competidores tradicionalmente estabelecidos.

Segundo Christensen, para compreender melhor o conceito, é necessário traçar um paralelo entre duas formas de inovações: as sustentadoras e as disruptivas. Uma inovação sustentadora é quando organizações investem em melhorias de produtos ou serviços para reafirmar sua liderança no mercado. Já a inovação disruptiva é quando uma organização apresenta um produto mais simples, acessível e barato aos consumidores, buscando atender um público que antes não tinha acesso ao mercado.

De forma básica, a inovação disruptiva tem como estratégia oferecer aos consumidores um produto ou serviço mais acessível financeiramente e com mais vantagens em relação à concorrência. Implementar uma inovação desse tipo, geralmente faz com que os compradores migrem em peso para a empresa que lançou a novidade, enquanto os concorrentes perdem terreno e, com o tempo, podem se tornar totalmente ultrapassados.

Para compreender melhor o conceito, pode-se pensar em inovações que alçaram os seus criadores à posição de liderança do mercado rapidamente. Os celulares pessoais substituíram boa parte dos telefones fixos; aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, tornaram os SMS obsoletos; plataformas como Netflix ultrapassaram o serviço das videolocadoras; os GPS tomaram o lugar dos mapas; o Google transformou listas telefônicas e enciclopédias em produtos do passado etc.

A inovação disruptiva cria novos mercados, revelando novas categorias de consumidores. Isso é possível, geralmente, graças às novas tecnologias, mas também pode ocorrer a partir de novos modelos de negócios, que conectam velhas tecnologias, utilizando-as de maneira inovadora. Steve Jobs e toda a sua equipe da Apple, por exemplo, revolucionaram todo o mercado de celulares com o lançamento do primeiro Iphone. A ideia era integrar tecnologias já existentes em um único aparelho: telefone, iPod e um comunicador com a internet. Esse novo celular da Apple tinha um conceito simples, inspirado já em produtos da própria empresa: eliminar o teclado dos celulares e inserir uma tela de alta definição, capaz de responder aos comandos do usuário ao ser tocada.

O lançamento do primeiro modelo de Iphone é um excelente exemplo dos efeitos causados por uma inovação disruptiva. Nesse caso, além de transformar a base de clientes da Apple em verdadeiros fãs da marca, obrigou todos os concorrentes a lançarem smartphones parecidos, ou seja, com uma tela touch screen. As empresas que não aderiram à novidade desapareceram consideravelmente do mercado, como é o caso da Blackberry, que lançou celulares sem teclado anos depois da Apple ter revolucionado o mercado.

Por que as inovações disruptivas são importantes às grandes corporações?

A teoria criada por Clayton Christensen explica o processo pelo qual uma inovação modifica um mercado, ou segmento de negócios, existente por meio da simplicidade, conveniência, acessibilidade e economia. Uma inovação disruptiva é formada, a princípio, em um nicho de mercado que pode parecer irrelevante para as grandes empresas, mas, eventualmente, o novo produto ou ideia pode redefinir a lógica da indústria por completo, tornando todo um segmento ultrapassado.

Seguindo modelos menos arriscados, as grandes organizações buscam inovar de modo rápido e constante, sem necessariamente criar melhorias ou produtos que atendam novas necessidades do mercado consumidor. Estas empresas que dominam o mercado há anos costumam investir em inovações sustentáveis, nos níveis mais elevados de seus respectivos mercados. Geralmente, as empresas cobram preços mais altos de seus clientes por essas inovações e, consequentemente, obtém maior rentabilidade.

Ainda que o rendimento possa ser maior com as inovações sustentáveis, essa é uma prática que deixa brechas para que surjam inovações disruptivas na parte mais baixa do mercado. De certa forma, isso é um risco às grandes empresas, porque essas inovações podem atrair boa parte de seus clientes.

De fato, empresas já estabelecidas enfrentam um grande dilema quando precisam seguir algum caminho de inovação: garantir um mercado já existente, inovando a partir de melhorias nos produtos e serviços já oferecidos ou atrair novos consumidores, adotando inovações disruptivas e novos modelos de negócio?

Esse dilema se torna ainda maior com a evolução tecnológica, que cria um cenário favorável ao impulsionamento de empresas que já nascem a partir de uma inovação disruptiva. Certamente, o mercado ainda será remodelado várias vezes em um futuro próximo, porque a tendência é que o ritmo de criações disruptivas se acelere ainda mais, graças à expansão de processamento dos computadores e a possibilidade de objetos se conectarem à internet, a partir da chamada internet das coisas.

Nesse cenário, cabe às organizações já estabelecidas no mercado aceitarem as inovações e se adaptarem a elas. Além disso, é necessário cogitar uma autodisrupção em parte de seus negócios. Para isso, é necessário que as grandes companhias fiquem atentas às tendências do mercado e se proponham a ter um setor responsável por pensar em inovações fora da curva, ou seja, em criações que se sobressaiam ao que a empresa já está acostumada a fazer.

Além disso, é essencial que as empresas pioneiras estejam atentas às demandas de seus clientes e busquem solucioná-las, investindo em novas tecnologias. Outro caminho que pode resguardar uma grande empresa e colaborar para a implementação de inovações disruptivas é estabelecer relacionamentos e redes estruturadas com outras organizações, visando uma parceria inovadora, a partir da criação de produtos que tenham como base a tecnologias das duas empresas.

Agora que você já sabe o que é inovação disruptiva e inovação sustentável, consegue detectar qual dos caminhos a sua empresa busca? Acredita que o seu negócio pode ser fortalecido a partir de uma inovação disruptiva? Você busca inspiração em modelos de negócios que já nasceram com esse ímpeto de remodelar o mercado? Compartilhe as suas opiniões na seção de comentários.

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