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Dez formas de seus projetos em Agile falharem

Cristina Cruz | 16 de janeiro de 2018

Gestores de médias e grandes empresas lidam com projetos diariamente. Cada empresa escolhe as melhores formas de gerir suas ações, seguindo tendências e considerando as especificidades de seu negócio.

A metodologia tradicional de projetos envolve uma sequência pré-definida e rígida de etapas, na qual o resultado do trabalho é inteiramente definido antes mesmo da sua efetiva realização. Esta atuação se baseia nas fases de planejamento, execução, monitoramento e encerramento.  Não há flexibilidade para alterar o produto durante sua execução. Após o planejamento, todos os esforços se unem para entregar, de forma única e completa, o resultado traçado, com possibilidades ínfimas de mudanças.

A metodologia Agile, por sua vez, preza a maior participação do cliente durante todo o desenvolvimento produtivo, desde a idealização até a entrega. Tudo é feito em etapas à medida que o produto vai ganhando forma. Isto faz com que, diante do fechamento de cada ciclo, seja possível traçar novos objetivos e priorizar outras funcionalidades para a mercadoria final oferecida.

Estes métodos ágeis são comumente utilizados em segmentos cujos produtos não precisam ser entregues de uma única vez, em sua totalidade. Um aplicativo, por exemplo, pode ser introduzido no mercado com suas funcionalidades ainda reduzidas. Aos poucos, cliente e empresa deliberam, em conjunto, o que precisa ser aprimorado. Isto flexibiliza custos, metas, contratos e, sobretudo, otimiza a eficiência.

Embora seja uma atuação historicamente ligada ao mercado de TI, principalmente no desenvolvimento de softwares, este modelo de gestão pode ser aplicado a diversos outros setores.

Uma característica importante deste método é a desfragmentação das decisões. Dentro das equipes, todos os membros podem se utilizar de suas próprias expertises para auxiliar nos processos e traçar os melhores caminhos de forma integrada. Trata-se de um ambiente no qual o brainstorm nunca para. Cada colaborador é responsável por executar e, ao mesmo tempo, gerenciar suas próprias as ações.

Embora esta filosofia possa trazer inúmeros ganhos para um negócio, se não houver cautela, critérios e um sério compromisso na sua adoção, é possível que o sistema seja um fracasso do ponto de vista produtivo.  Confira alguns erros cruciais cometidos por muitos gestores na hora de fazer uso de projetos em Agile:

Não levar em conta a natureza do negócio

A implementação de métodos ágeis deve ser feita somente após uma análise criteriosa de todo o contexto que envolve a atuação da empresa. É preciso analisar se o segmento a que ela pertence favorece ou não esta filosofia. Uma construtora civil, por exemplo, dificilmente se encaixaria dentro de uma forma fragmentada de planejamento de seus produtos, já que um imóvel deve ser inteiramente arquitetado antes do início da execução. Outro ponto é saber se as características institucionais, como estrutura e mão de obra, são propícias à nova diretriz.

Não recrutar o perfil correto de profissionais

Agile preza a execução de projetos de forma autossuficiente por cada equipe. Nem todos os profissionais são dotados de virtudes como iniciativa e capacidade de tomar decisões. Antes de adotar métodos ágeis, é fundamental certificar se o atual quadro de profissionais é composto por pessoas de alta pró-atividade, capacidade técnica e dispostas a se engajar diante de cada nova demanda. Caso contrário, é impossível atingir o sucesso na empreitada.

Não ter uma liderança forte

O fato da filosofia desfragmentada dar mais autonomia para cada colaborador na condução de projetos específicos não pode ser confundido com a ausência de um grande gestor na organização geral deste sistema. A figura de um líder forte é essencial para designar corretamente profissionais para estar à frente de cada projeto, orientar o papel de cada um dentro do organograma e solucionar possíveis problemas com seu senso natural de decisão.

Não se certificar

Existem formas corretas de se capacitar, testar e aprimorar constantemente o desempenho de um programa ágil. Há uma série de certificações disponíveis no mercado, com propostas e custos variados. Conhecer minimamente cada uma influencia diretamente nas escolhas e visão que o mercado terá de sua atuação. Scrum, por exemplo, é a estrutura líder da metodologia Agile no mundo, especialmente para o desenvolvimento de softwares. Mas a pluralidade de ofertas inclui Agile Certified Practitioner (ACP) do Project Management Institute (PMI), APMG International, ICAgile, Agile Certification Institute e Scaled Agile Academy.

Não haver apoio por parte do corpo diretivo

Ao adotar metodologias ágeis, todos dentro da corporação precisam acreditar em seus benefícios. Caso parte da administração não seja convencida desta premissa e esteja alheia aos seus efeitos, pode haver uma cobrança precipitada e equivocada por desempenhos individuais e coletivos. A adoção destes métodos é feita de forma gradual até que seja completamente aprimorada, o que exige um tempo mínimo de adaptação. Os colaboradores precisam se sentir seguros para a experimentação, o que demanda apoio incondicional da alta cúpula do negócio.

Não medir ou estimular a velocidade da equipe

Muitas vezes, a implementação de metodologias ágeis falham porque a empresa não consegue desenvolver formas práticas de avaliar a própria velocidade de execução dos processos. Para fazer jus ao nome Agile, os gestores precisam não só conhecer o ritmo de produção como estimular constantemente a melhoria de desempenho, por meio de uma infinidade de recursos de gestão, como reconhecimento e bonificação.   

Não aprimorar a comunicação

A boa comunicação, tanto do ponto de vista interno quanto com o cliente, é fundamental para que as metodologias ágeis não falhem, pois este método exige um ininterrupto fluxo de informações. Empresas precisam não só fomentar junto à equipe a importância de se comunicar, mas também investir em seus canais de comunicação. Novas tecnologias são capazes de trazer inúmeros ganhos, como otimização de tempo e redução de custos. A videoconferência, por exemplo, elimina gastos com transportes, rompe barreiras e facilita o contato direto das partes interessadas.   

Não prezar reuniões frequentes

Faz parte da metodologia Agile a constante entrega de resultados e planejamento das próximas ações. Reuniões são necessárias a cada fechamento de ciclo, para que todas as produções estejam alinhadas com a necessidade de quem adquire o produto. Empresas que ignoram esta necessidade correm mais riscos de falhar. Cabe a cada negócio planejar estes encontros de maneira coerente e produtiva.

Não levar em conta o feedback dos clientes

Não adianta aumentar o contato com o cliente se o que ele diz não é levado em conta durante os processos. As suas falas precisam ser ouvidas e colocadas como prioridade. Todo o desenvolvimento do produto deve girar em torno de atender às sugestões de briefing dado pelo contratante. Conhecer o que o consumidor precisa é o primeiro caminho para oferecer reais soluções. Deixá-lo de fora durante qualquer momento da cadeia produtiva é assumir o fracasso no método Agile.

Não desenvolver a cultura colaborativa

Antes de instalar a metodologia na empresa, é essencial saber se ela possui uma cultura colaborativa. Os profissionais precisam estar aptos a desenvolver trabalhos de forma integrada, no qual cada um entende os processos como o resultado de uma ação coletiva. Todos necessitam compreender que o seu trabalho interfere na performance do colega e na qualidade da entrega. É impossível ter sucesso se não houver respeito e contribuição mútuos.

Agora ficou mais fácil perceber os principais erros na hora de adotar as metodologias ágeis dentro das empresas. Não se esqueça de deixar nos comentários um relato sobre como sua empresa lida com projetos e o que você achou deste artigo.

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