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07/fev
Cristina Cruz
Conheça um departamento de TI de 2030

Neste artigo, apresenta-se um questionamento instigante a respeito da Tecnologia da Informação no futuro: como seria um setor de TI no ano de 2030? Embora a sociedade ainda precise caminhar por longos 13 anos, período em que inúmeras inovações integrarão o escopo de soluções nos campos da tecnologia e da informação, Jenny Beresford, diretora de pesquisa do Grupo Gartner, resolveu simular essa situação, a qual será transcrita neste texto.

Beresford integra o time de consultoria em Tecnologia da Informação de um dos grupos mais célebres desse segmento, sendo considerada uma notável especialista em: transformação digital, rupturas no mercado de TI, mudanças complexas em tecnologia, ecossistemas digitais, além de inovação de produtos. A consultora descreveu uma situação hipotética de uma empresa digital chamada Poppy, sediada em Xangai, na China, no ano de 2030.

Conforme apresentou a diretora de pesquisa do Gartner, a Poppy cresceria de forma exponencial, de hoje até 2030, e surgiria como uma startup disruptiva com ideias próprias, fundada em capital de risco durante 2017. A empresa seria semelhante ao grupo também chinês Alibaba, mas inicialmente focada em serviços educacionais.

A Poppy em 2030

Atualmente, no ano de 2030, a Poppy já captou uma grande fatia do mercado mundial de jovens sedentos por ambientes de aprendizagem inteligentes capazes de acelerar processos de educação, qualificação e conhecimento. Neste ano, a organização está classificada entre as três maiores no seu mercado, tendo atingido esse patamar utilizando máquinas inteligentes e algoritmos para interpretar dinamicamente milhões de pontos de dados interligados através de uma infinidade de dispositivos e fontes na Internet das Coisas da empresa.

A Poppy sabe exatamente cada uma das preferências de aprendizagem dos seus clientes, variáveis ​​ambientais e emocionais e o melhor ritmo de absorção de conhecimento. Neste momento, a companhia está preparada para dominar o mercado de serviços de formação personalizados e expandir-se rapidamente para mercados horizontais e verticais relacionados à área, por meio de aquisições planejadas para 2030.

A empresa já atingiu um grande patamar e continua em ascensão, tendo que ser, cada vez mais, capaz de se flexibilizar e estender as suas atividades, de modo igualmente rápido à expansão do mercado e das inovações atuais. Por isso, nesse contexto, é importante dizer que o papel do CIO evoluiu com a empresa, sendo o setor de TI o mais importante da organização neste ano de 2030.

Unidades em autogestão e autônomas

A área de TI da Poppy está organizada em uma estrutura altamente flexível de núcleos ou subunidades de equipes que se alternam entre projetos e tarefas atribuídas de acordo com o fluxo de ideias; cenário em que as prioridades se reequilibram.

O departamento de TI é extremamente dinâmico e muda à medida que as equipes se formam e reformam, incluindo as pessoas de outras partes da empresa, promovendo a diversidade de pensamento e experiência. Em nada se compara às hierarquias de agrupamentos funcionais ou centradas em produtos, usadas em 2017. Nesse cenário, o CIO da companhia lidera uma equipe de líderes de núcleos, cada um formando um conjunto autônomo de até 30 pessoas.

Os colaboradores participam dessas equipes ou núcleos, e também podem juntar-se a grupos de especialistas para ampliar o seu repositório de conhecimentos. Fornecedores externos, parceiros e especialistas individuais também estão envolvidos em tarefas ou projetos específicos, juntando-se a equipes ou núcleos por períodos limitados, algo semelhante à formação de equipes ágeis e flexíveis utilizadas ​​em 2017.

O departamento de TI como núcleo de inovação e capacitação

O departamento de TI também é um centro de inovação e capacitação para produtos e serviços externos e internos. Configuração diferente da que, comumente, era exercida em 2017, época em que o setor de TI era responsável apenas pelas funções de tecnologia, especialmente interna. O CIO está, constantemente, preocupado com um equilíbrio apropriado entre inventar, experimentar, otimizar e ajustar.

Para inovar nos produtos, o CIO busca o envolvimento de pessoas oriundas de diferentes campos, das artes até as ciências. Os líderes de TI em 2030 precisam de vários especialistas:

  • Antropólogos, para interpretar comportamentos e psicologia.
  • Designers, para imaginar e criar produtos e serviços que tenham como objetivo otimizar as experiências dos clientes.
  • Arquitetos e responsáveis por planejamento urbano, inspirados pela digitalização, para modelar e zelar pelo ambiente digital.
  • Engenheiros, para criar componentes de produtos e serviços de TI externos e internos conectados em uma malha de Internet das Coisas.
  • Cientistas de dados, para criar algoritmos de máquina cada vez mais inteligentes, que atendem à disponibilidade e qualidade dos dados que alimentam a aprendizagem dos sistemas.

Quem assume o cargo de CIO, neste contexto de 2030, deve ser um executivo de ação global, experiente e capaz de atrair, inspirar e capacitar uma força de trabalho plural de pensadores independentes e multitalentosos.

O núcleo de sua organização de TI é uma equipe de alto desempenho com líderes talentosos. Cada líder tem uma especialização aprofundada e demonstra seguidamente a sua capacidade de aprender e aplicar conhecimento. Mas cada um foi contratado para a equipe fundamentalmente devido aos seus valores, curiosidade intelectual, otimismo e adaptabilidade como diferenciais em uma equipe multifuncional. Esses líderes mantêm o seu equilíbrio pessoal, enquanto abraçam e fluem com a velocidade, incerteza e ambiguidade do ambiente empresarial de 2030.

Essa projeção pode realmente acontecer?

O cenário que foi simulado por Jenny Beresford, segundo a consultora, representa apenas um retrato em potencial, impulsionado por tendências de tecnologia e de gestão. Porém esta evolução pode ser delineada de maneiras distintas:

  • As abordagens de gestão emergente, como a holocracia (esse é o termo mesmo?), podem ter dificuldade em ganhar dimensão ou tornar-se eficazes em uma vasta gama de organizações.
  • Os líderes individuais podem falhar. Além disso, os executivos de comando também podem ter dificuldades em se tornar líderes capazes de trabalhar com os novos graus de liberdade de recursos humanos, fluidez e incertezas.
  • As empresas podem prestar serviços de suporte à abordagem, mas não promover a autonomia nos núcleos.
  • Outra hipótese de Beresford é de que talvez nem haja departamento de TI, tampouco um CIO em 2030, pois todos os conhecimentos e responsabilidades poderão estar totalmente dispersos pela empresa.

Recomendações de Jenny Beresford para os tempos atuais

Segundo os apontamentos realizados por Beresford, o momento atual é ideal para pensar no modo como os profissionais da geração millenial se tornarão os CIO de 2030. Esses especialistas devem adotar as práticas Agile de liderança-servo e de liderar por trás, a fim de possibilitar maior autonomia, criatividade e autogestão na força de trabalho de TI das organizações.

Devem, ainda, desenvolver cenários alternativos para a organização de TI capazes de ampliar os princípios das equipes ágeis. Além de incentivar a sua força de trabalho a experimentar diferentes formas de organização, observando, refletindo, aprendendo e adaptando, de forma constante.

O CIO também deve ser capaz de ajudar os líderes emergentes do núcleo de TI a serem criativos na maneira como monitoram, entendem e apoiam os seus recursos humanos, como indivíduos, com extrema flexibilidade na formação e reforma de núcleos ou equipes. Para isso, será necessário demonstrar apoio à colaboração entre domínios e à exploração tolerante ao risco para acelerar rapidamente os ciclos de formação de ideias [ou ideação] para entregar valor à organização.

Por fim, a sugestão da consultora do Gartner é que esses líderes em TI comecem desde já a buscar oportunidades de desafiar as pessoas, tirá-las das suas zonas de conforto, para que trabalharem em equipes nas quais nunca tenham pensado em fazê-lo, além de explorar os seus limites como uma nova experiência e um estímulo à inovação.

Agora que você já conhece uma possível face dos departamentos de TI em 2030, sob a visão de uma das maiores especialistas mundiais no assunto, pretende aplicar as suas sugestões? Já está atento às mudanças? Compartilhe a sua visão sobre esse tema na seção de comentários.

A tradução do artigo de Jenny Beresford pode ser acessado na íntegra no site CIO.

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